martedì 20 gennaio 2026

MARTIN SANTOS – Entrevista exclusiva para V.I.A. – VITRINE INTERNACIONAL A.C.I.MA. ITÁLIA

 MARTIN SANTOS – Entrevista exclusiva para V.I.A. – VITRINE INTERNACIONAL A.C.I.MA. ITÁLIA

É com grande honra e profundo sentido de missão que damos continuidade ao terceiro ciclo do projeto V.I.A. – Vitrine Internacional A.C.I.MA., trazendo para esta nova etapa uma entrevista que se destaca pela intensidade e pelo coração. O protagonista desta edição é o Escritor MARTIN SANTOS, um poeta de espírito livre cuja sensibilidade transborda o papel e se manifesta em múltiplas formas de criação artística.

Mais do que uma entrevista, este é um verdadeiro encontro com uma voz que pulsa e ilumina. Uma celebração da poesia como cura, da palavra como revelação, e da capacidade singular de transformar vivências, dores e esperanças em beleza. Em cada resposta, Martin revela a força de um artista que não apenas escreve, mas vive a arte como caminho de entendimento e de reconciliação com o mundo.

Em harmonia com as comemorações do Jubileu de Cristal da A.C.I.MA. Itália, que em 2026 celebra 15 anos de atuação cultural internacional, retomamos com entusiasmo o projeto V.I.A., lançado em 2011 para dar visibilidade a escritores, poetas, artistas e criadores que iluminam caminhos. Nesta nova fase, reafirmamos o compromisso de valorizar as vozes que atravessam fronteiras e conectam mundos, promovendo a arte como uma ponte viva entre o tempo, o sensível e o humano.

1) A.C.I.MA. – MARTIN SANTOS Seja muito bem-vindo à Vitrine Internacional A.C.I.MA., Estimado Escritor e Poeta, parceiro cultural internacional, gostaríamos de começar esta entrevista conhecendo você e sua escrita um pouco melhor. Conte-nos sobre suas origens: de onde vem, qual sua terra natal e onde vive atualmente. Além da escrita, que paixões, trabalhos ou hobbies fazem parte do seu cotidiano?

MARTIN SANTOS – Nasci em Portugal, no seio de uma família simples, numa aldeia chamada Pousadas Vedras — um lugar onde a eletricidade, o telefone, a água canalizada e outros confortos já conhecidos noutros pontos do país ainda não haviam chegado. Contudo, mais dura do que essa ausência material foi a perda precoce do meu pai: fiquei órfão aos sete meses de vida e cresci mergulhado numa severa precariedade, marcada por dias de fome e noites de frio.

Ali vivi até aos catorze anos. Depois, o destino levou-me ao Cartaxo, onde permaneci cerca de uma década, antes de seguir para a Suíça. Nesse país vivi quatro décadas, construí uma vida, adquiri dupla nacionalidade e aprendi, entre o rigor e o silêncio, outras formas de resistência. Mais tarde, regressei a Portugal, ao Cartaxo — capital do vinho e terra de boa gente, onde hoje reencontro raízes e afectos.

Para além da escrita, tenho um profundo gosto por decorar e dar alma aos espaços, por cuidar dos animais e por contribuir, ainda que modestamente, para o bem daqueles que me rodeiam. Dedico uma parte significativa do meu tempo à minha quintinha, aos meus cães e às aves que me acompanham — pavões, faisões, papagaios e outras — criaturas que me ensinam diariamente a beleza da presença e do cuidado.

Dedico também tempo a algo que considero essencial: encorajar pessoas a enfrentarem as adversidades da vida e a olharem o futuro com esperança. Nesse sentido, sinto-me particularmente útil ao visitar regularmente qualquer tipo de estabelecimentos, inclusive prisionais, onde a palavra, quando nasce do coração, pode tornar-se uma forma discreta, mas poderosa, de liberdade.

2) A.C.I.MA. – Como surgiu o seu primeiro contato com a escrita? Quais temas despertam seu interesse e de onde vêm suas inspirações?

MARTIN SANTOS – O meu primeiro contacto com a escrita aconteceu  ainda na infância, quando, aos sete anos, escrevi alguns pensamentos que chegaram a impressionar quem os leu. No entanto, só muitas décadas depois a vontade de partilhar aquilo que considero tocante, útil e inspirador conseguiu sobrepor-se às marcas deixadas pelo desprezo, pela violência e por outras calamidades que a vida me impôs.

Comecei por escrever versos sobre temas diversos que me interpelavam intimamente e, em paralelo, um romance de carácter autobiográfico. Fiz-lo sem qualquer expectativa de publicação e muito menos imaginando que esses escritos viriam a encontrar eco e sincero agrado junto de tantos leitores.

Os temas que despertam o meu interesse são amplos e variados. Desde menino, aprendi a escutar e a observar as pessoas com empatia e respeito. Não me detenho, em regra, em pormenores superficiais como o penteado ou a forma de vestir — ainda que, por vezes, também eles possam dizer algo. O que verdadeiramente me prende são os sentimentos expressos, ou aqueles que permanecem subentendidos, escondidos nas pausas, nos silêncios e nos olhares.

Tive, ao longo da vida, o privilégio — também a nível profissional — de dialogar com pessoas de diferentes nacionalidades, culturas, convicções políticas e credos religiosos. Somando essa diversidade às inquietações e transformações da nossa sociedade, emergem naturalmente temas como o amor — ou a sua ausência —, a tão desejada paz que vai muito além da simples inexistência de guerra, e a necessidade urgente de tolerância, empatia, respeito e cooperação, em vez de competição cega.

É nesse espaço de reflexão que nasce a inspiração. Muitas vezes surge-me, com insistência, um desejo simples e profundo: ver as pessoas mais felizes. Então pergunto-me que gesto, que palavra, que texto poderá ajudar alguém. Mesmo consciente de que talvez eu não consiga fazer mais do que acrescentar uma gota ao oceano, procuro que a minha escrita — sempre ancorada na realidade — seja não apenas agradável, mas sobretudo encorajadora, motivadora e humana.

3) A.C.I.MA. – Quem foi a primeira pessoa a acreditar no seu talento? Além da literatura, quais outras formas de expressão artística tocam sua alma ou você pratica?

MARTIN SANTOS – Talvez a primeira pessoa a acreditar no meu talento tenha sido a diretora da editora que publicou os meus primeiros livros.

Quanto a outras formas de expressão artística que me tocam, são várias. Contudo, a música ocupa um lugar especial — em particular a voz de alguns cantores, capaz de me comover profundamente. Também gosto de cantar, ainda que reserve esse prazer para momentos íntimos, como o silêncio cúmplice de um chuveiro.

Como já referi, aprecio decorar espaços, e há quem considere artísticas as figuras que crio com pedras, arbustos e outros elementos naturais. São gestos simples, mas carregados de intenção, onde a criatividade encontra descanso e liberdade.

4) A.C.I.MA. – Na sua visão, qual é o papel do escritor no mundo contemporâneo? Como podemos construir pontes entre culturas através da palavra? E, na prática, o que seria prioritário para valorizar e divulgar o trabalho de escritores e artistas internacionalmente?

MARTIN SANTOS – Creio que o escritor desempenha um papel de enorme relevância no mundo contemporâneo. Embora, nesta era digital, existam meios potencialmente mais imediatos e influentes, a leitura continua a ser fundamental em múltiplos planos — desde o simples prazer cultural até à transmissão de conhecimento, reflexão e sabedoria. Tal como outros meios de comunicação, a palavra escrita tem o poder de influenciar, para o bem ou para o mal, e é precisamente por isso que o escritor carrega uma grande responsabilidade numa sociedade onde certos valores parecem, cada vez mais, perder espaço.

Quando falo de valores, não me refiro a um apego rígido a tradições por si só. Reconheço que há tradições dignas de preservação, mas considero ainda mais importante a abertura de espírito. Nesse sentido, acredito que todos temos a ganhar ao aceitar que podemos beneficiar — e contribuir — através da cooperação entre povos e culturas distintas. Pela palavra falada ou escrita, podemos e devemos construir pontes, nunca muros.

Não é por acaso que, há vários anos, colaboro com os projectos da A.C.I.MA., cujo lema — “seguir conectando mentes, corações e culturas” — traduz precisamente essa visão de diálogo e aproximação.

Na prática, considero prioritário dar maior visibilidade, apoio e incentivo aos escritores. Seria profundamente enriquecedor, a nível cultural e humano, que os meios de comunicação social fossem mais utilizados para promover a leitura e valorizar o trabalho de escritores e artistas, contribuindo assim para uma sociedade mais consciente, crítica e sensível.

 

5) A.C.I.MA. – Quais os maiores obstáculos você acredita que um escritor encontra ao ingressar no universo literário? Como você divulga suas obras e onde os leitores podem encontrá-las?

MARTIN SANTOS – Creio que, hoje, é significativamente mais fácil ingressar no universo literário do que quando comecei. Ainda assim, o percurso continua a apresentar desafios. Uma editora — sobretudo quando dispõe de meios para promover e divulgar as obras — precisa acreditar no seu valor. E, quando o escritor ainda não é conhecido, esse reconhecimento inicial pode revelar-se mais difícil de alcançar.

Algumas das minhas obras podem ser encontradas através da internet, nomeadamente na FNAC. Outras estão disponíveis em O Mirante e na Pedra Azul Editora, no Brasil. Na Itália, em edições tanto em italiano como em português, podem ser encontradas através da A.C.I.M.A. Itália.

A totalidade das minhas obras está igualmente reunida no meu site oficial: martin-santos.com

 

6) A.C.I.MA. – Que mensagem ou conselho você daria a quem está iniciando sua jornada literária e deseja transformar sonhos em palavras?

MARTIN SANTOS –  Desejo encorajar todos aqueles que sentem poder oferecer, através da escrita, momentos agradáveis de leitura e que, sobretudo, aspiram a encorajar, despertar consciências ou sensibilizar os leitores com algo positivo. Que não desistam diante dos desafios, das dúvidas ou dos inevitáveis obstáculos do caminho. A persistência, aliada à honestidade da palavra e à intenção sincera, acaba sempre por encontrar o seu lugar.

7) A.C.I.MA. –  Fale sobre as suas obras e trajetória, em âmbito nacional e além-fronteiras. Como tem sido a experiência de levar os seus trabalhos para o exterior, especialmente com o apoio da A.C.I.MA. Itália?

MARTIN SANTOS – Como acontece com muitos escritores, o meu percurso foi feito também de recusas. Até que uma editora portuguesa — depois de ouvir de outro escritor que a minha escrita tinha valor — aceitou analisar os meus textos e considerou-os interessantes. Assim, publiquei com essa editora dois romances e dois volumes de poesia.

Algum tempo depois, uma editora brasileira, a quem alguém havia recomendado os meus livros, leu-os e acreditou no seu potencial. Foi então publicado, em português do Brasil, o meu segundo romance, A Voz que Não Ouvi, cuja primeira edição, felizmente, não tardou a esgotar.

Mais tarde, escrevi histórias infantis, algumas das quais ganharam vida também no YouTube, sob a forma de desenhos animados. Publiquei ainda um livro que reúne poesia e prosa, Vislumbrando um Mundo Melhor, que, ao que tudo indica, agradou ainda mais do que as obras exclusivamente poéticas. Nesse mesmo registo nasceu depois a obra Fascinantes Convergências, escrito em duo com a talentosa poetisa e cantora Rosa Madeira.

Recentemente, publiquei o romance Inimaginável, cujo manifesto agrado por parte dos leitores me deixa profundamente feliz e grato.

No entanto, a minha satisfação não se limita ao reconhecimento das minhas obras em língua portuguesa. Tive também o privilégio de ver o meu trabalho valorizado por uma escritora e diretora de uma prestigiada editora internacional, a A.C.I.MA. Edizioni Mandala, que considerou a minha escrita relevante e que me distinguiu a nível internacional com um certificado ouro na categoria Poesia, entre outros reconhecimentos e medalhas, no âmbito dos diversos projectos literários renomados.


Devo ainda a esta senhora — que, sem qualquer lisonja, considero tão charmosa quanto talentosa —, Mariana Brasil / Sonia Miquelin, a publicação do romance La Voce Ritrovata, o meu primeiro livro em italiano, que foi destaque no Salão Internacional do Livro de Turim (2024). Graças a essa parceria, tornei-me também colunista internacional.

Com a A.C.I.MA. Itália, tenho igualmente o privilégio de participar, há já vários anos, em antologias e outras publicações de prestígio, em italiano e em português, e até em língua inglesa — experiências que ampliaram não só o alcance da minha escrita, mas também o meu olhar sobre o mundo.

8) A.C.I.MA. – Que legado você gostaria de deixar aos seus leitores, familiares e às futuras gerações? Que mensagem deseja que sua obra transmita ao mundo?

MARTIN SANTOS –  Desejo profundamente que as minhas obras literárias e o meu modo de viver convirjam num mesmo propósito: sensibilizar, motivar e inspirar os leitores a darem o melhor de si na construção de uma sociedade mais justa, mais humana e verdadeiramente mais feliz.

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RAPIDINHAS – Um olhar leve e pessoal por Martin Santos

 

A.C.I.MA. – Uma saudade que aquece o coração.

MARTIN SANTOS – Dançar com a minha namorada.

A.C.I.MA. – Um sonho que ainda te move.

MARTIN SANTOS – Viver num mundo justo.

A.C.I.MA. – Um lugar que marcou sua vida.

MARTIN SANTOS – Grindelwald, na Suíça.

A.C.I.MA. – Uma música que toca sua alma.

MARTIN SANTOS – Quimera de Gianni Morandi.

A.C.I.MA. – Uma tristeza que virou aprendizado.

MARTIN SANTOS – Uma traição.

A.C.I.MA. – Um som que traz boas memórias.

MARTIN SANTOS – Acordeão.

A.C.I.MA. – Um cheiro que desperta lembranças.

MARTIN SANTOS – Alecrim.

A.C.I.MA. – Doce ou salgado?

MARTIN SANTOS – Salgado.

A.C.I.MA. – Destino ou acaso?

MARTIN SANTOS – Acaso.

A.C.I.MA. – Quente ou frio?

MARTIN SANTOS – Os dois.

A.C.I.MA. – Seu hobby favorito.

MARTIN SANTOS – Escrita e tênis.

A.C.I.MA. – Sua comida preferida.

MARTIN SANTOS – Legumes.

A.C.I.MA. – O que você ama profundamente.

MARTIN SANTOS – Sinceridade e lealdade.

A.C.I.MA. – O que você não ama.

MARTIN SANTOS – Hipocrisia, e meias-verdades.

A.C.I.MA. – Um livro que mudou sua vida.

MARTIN SANTOS – A Bíblia.

A.C.I.MA. – Um filme inesquecível.

MARTIN SANTOS – Le schpountz. Filme francês de Marcel Pagnol e estrelado por Fernandel.

A.C.I.MA. – Uma homenagem que gostaria de prestar ou receber.

MARTIN SANTOS – Gostaria de homenagear meu pai.

A.C.I.MA. – Um momento que guardará para sempre.

MARTIN SANTOS – Um encontro romântico em Lisboa.

A.C.I.MA. – Três elementos fundamentais para ser feliz.

MARTIN SANTOS – Amor, Pa e Respeito.

 

A A.C.I.MA. Itália reconhece em Martin Santos uma voz rara, capaz de unir rigor e ternura, pensamento e humanidade. A sua escrita não apenas participa dos nossos projetos: ela dialoga, provoca reflexão e deixa marcas silenciosas, daquelas que continuam a ecoar mesmo depois da leitura. Há, em sua presença, uma coerência entre palavra e atitude que enobrece o fazer literário e honra cada espaço que atravessa. Que o caminho continue a abrir-se diante de si com a mesma autenticidade que o define, pois o valor do que constrói não reside apenas no êxito alcançado, mas na transformação que inspira.

Com profunda estima e gratidão,

Sonia Miquelin
A.C.I.MA. Itália



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