MARTIN SANTOS – Entrevista exclusiva para V.I.A. – VITRINE INTERNACIONAL A.C.I.MA. ITÁLIA
Mais do que uma entrevista,
este é um verdadeiro encontro com uma voz que pulsa e ilumina. Uma celebração
da poesia como cura, da palavra como revelação, e da capacidade singular de
transformar vivências, dores e esperanças em beleza. Em cada resposta, Martin
revela a força de um artista que não apenas escreve, mas vive a arte como
caminho de entendimento e de reconciliação com o mundo.
Em harmonia com as comemorações do Jubileu de Cristal da A.C.I.MA. Itália, que em 2026 celebra 15 anos de atuação cultural internacional, retomamos com entusiasmo o projeto V.I.A., lançado em 2011 para dar visibilidade a escritores, poetas, artistas e criadores que iluminam caminhos. Nesta nova fase, reafirmamos o compromisso de valorizar as vozes que atravessam fronteiras e conectam mundos, promovendo a arte como uma ponte viva entre o tempo, o sensível e o humano.
1) A.C.I.MA. – MARTIN SANTOS Seja muito bem-vindo à Vitrine Internacional A.C.I.MA., Estimado Escritor e Poeta, parceiro
cultural internacional, gostaríamos de começar esta entrevista conhecendo você
e sua escrita um pouco melhor. Conte-nos sobre suas origens: de onde vem, qual
sua terra natal e onde vive atualmente. Além da escrita, que paixões, trabalhos
ou hobbies fazem parte do seu
cotidiano?
MARTIN SANTOS – Nasci em Portugal, no seio de uma
família simples, numa aldeia chamada Pousadas Vedras — um lugar onde a
eletricidade, o telefone, a água canalizada e outros confortos já conhecidos
noutros pontos do país ainda não haviam chegado. Contudo, mais dura do que essa
ausência material foi a perda precoce do meu pai: fiquei órfão aos sete meses
de vida e cresci mergulhado numa severa precariedade, marcada por dias de fome
e noites de frio.
Ali
vivi até aos catorze anos. Depois, o destino levou-me ao Cartaxo, onde
permaneci cerca de uma década, antes de seguir para a Suíça. Nesse país vivi
quatro décadas, construí uma vida, adquiri dupla nacionalidade e aprendi, entre
o rigor e o silêncio, outras formas de resistência. Mais tarde, regressei a
Portugal, ao Cartaxo — capital do vinho e terra de boa gente, onde hoje
reencontro raízes e afectos.
Para
além da escrita, tenho um profundo gosto por decorar e dar alma aos espaços,
por cuidar dos animais e por contribuir, ainda que modestamente, para o bem
daqueles que me rodeiam. Dedico uma parte significativa do meu tempo à minha
quintinha, aos meus cães e às aves que me acompanham — pavões, faisões,
papagaios e outras — criaturas que me ensinam diariamente a beleza da presença
e do cuidado.
Dedico também tempo a algo que considero essencial: encorajar pessoas a enfrentarem as adversidades da vida e a olharem o futuro com esperança. Nesse sentido, sinto-me particularmente útil ao visitar regularmente qualquer tipo de estabelecimentos, inclusive prisionais, onde a palavra, quando nasce do coração, pode tornar-se uma forma discreta, mas poderosa, de liberdade.
2) A.C.I.MA. – Como surgiu o seu primeiro contato com a escrita?
Quais temas despertam seu interesse e de onde vêm suas inspirações?
MARTIN SANTOS – O meu primeiro contacto com a
escrita aconteceu ainda na infância,
quando, aos sete anos, escrevi alguns pensamentos que chegaram a impressionar
quem os leu. No entanto, só muitas décadas depois a vontade de partilhar aquilo
que considero tocante, útil e inspirador conseguiu sobrepor-se às marcas
deixadas pelo desprezo, pela violência e por outras calamidades que a vida me
impôs.
Comecei
por escrever versos sobre temas diversos que me interpelavam intimamente e, em
paralelo, um romance de carácter autobiográfico. Fiz-lo sem qualquer
expectativa de publicação e muito menos imaginando que esses escritos viriam a
encontrar eco e sincero agrado junto de tantos leitores.
Os
temas que despertam o meu interesse são amplos e variados. Desde menino,
aprendi a escutar e a observar as pessoas com empatia e respeito. Não me
detenho, em regra, em pormenores superficiais como o penteado ou a forma de
vestir — ainda que, por vezes, também eles possam dizer algo. O que
verdadeiramente me prende são os sentimentos expressos, ou aqueles que
permanecem subentendidos, escondidos nas pausas, nos silêncios e nos olhares.
Tive,
ao longo da vida, o privilégio — também a nível profissional — de dialogar com
pessoas de diferentes nacionalidades, culturas, convicções políticas e credos
religiosos. Somando essa diversidade às inquietações e transformações da nossa
sociedade, emergem naturalmente temas como o amor — ou a sua ausência —, a tão desejada
paz que vai muito além da simples inexistência de guerra, e a necessidade
urgente de tolerância, empatia, respeito e cooperação, em vez de competição
cega.
É nesse espaço de reflexão que nasce a inspiração. Muitas vezes surge-me, com insistência, um desejo simples e profundo: ver as pessoas mais felizes. Então pergunto-me que gesto, que palavra, que texto poderá ajudar alguém. Mesmo consciente de que talvez eu não consiga fazer mais do que acrescentar uma gota ao oceano, procuro que a minha escrita — sempre ancorada na realidade — seja não apenas agradável, mas sobretudo encorajadora, motivadora e humana.
3) A.C.I.MA. – Quem foi a primeira pessoa a acreditar no seu talento?
Além da literatura, quais outras formas de expressão artística tocam sua alma
ou você pratica?
MARTIN SANTOS – Talvez a primeira pessoa a acreditar no meu talento
tenha sido a diretora da editora que publicou os meus primeiros livros.
Quanto a outras formas de
expressão artística que me tocam, são várias. Contudo, a música ocupa um lugar
especial — em particular a voz de alguns cantores, capaz de me comover
profundamente. Também gosto de cantar, ainda que reserve esse prazer para momentos
íntimos, como o silêncio cúmplice de um chuveiro.
Como já referi, aprecio decorar espaços, e há quem considere artísticas as figuras que crio com pedras, arbustos e outros elementos naturais. São gestos simples, mas carregados de intenção, onde a criatividade encontra descanso e liberdade.
4) A.C.I.MA. – Na sua visão, qual é o papel do escritor no mundo
contemporâneo? Como podemos construir pontes entre culturas através da palavra?
E, na prática, o que seria prioritário para valorizar e divulgar o trabalho de
escritores e artistas internacionalmente?
MARTIN SANTOS – Creio que o escritor desempenha um
papel de enorme relevância no mundo contemporâneo. Embora, nesta era digital,
existam meios potencialmente mais imediatos e influentes, a leitura continua a
ser fundamental em múltiplos planos — desde o simples prazer cultural até à
transmissão de conhecimento, reflexão e sabedoria. Tal como outros meios de
comunicação, a palavra escrita tem o poder de influenciar, para o bem ou para o
mal, e é precisamente por isso que o escritor carrega uma grande
responsabilidade numa sociedade onde certos valores parecem, cada vez mais,
perder espaço.
Quando falo de valores, não me
refiro a um apego rígido a tradições por si só. Reconheço que há tradições
dignas de preservação, mas considero ainda mais importante a abertura de
espírito. Nesse sentido, acredito que todos temos a ganhar ao aceitar que
podemos beneficiar — e contribuir — através da cooperação entre povos e
culturas distintas. Pela palavra falada ou escrita, podemos e devemos construir
pontes, nunca muros.
Não é por acaso que, há vários
anos, colaboro com os projectos da A.C.I.MA., cujo lema — “seguir conectando
mentes, corações e culturas” — traduz precisamente essa visão de diálogo e
aproximação.
Na prática, considero
prioritário dar maior visibilidade, apoio e incentivo aos escritores. Seria
profundamente enriquecedor, a nível cultural e humano, que os meios de
comunicação social fossem mais utilizados para promover a leitura e valorizar o
trabalho de escritores e artistas, contribuindo assim para uma sociedade mais
consciente, crítica e sensível.
5) A.C.I.MA. – Quais os maiores obstáculos você acredita que um
escritor encontra ao ingressar no universo literário? Como você divulga suas
obras e onde os leitores podem encontrá-las?
MARTIN SANTOS – Creio que, hoje, é significativamente mais fácil ingressar no universo
literário do que quando comecei. Ainda assim, o percurso continua a apresentar
desafios. Uma editora — sobretudo quando dispõe de meios para promover e
divulgar as obras — precisa acreditar no seu valor. E, quando o escritor ainda
não é conhecido, esse reconhecimento inicial pode revelar-se mais difícil de
alcançar.
Algumas das minhas obras podem ser encontradas através da internet,
nomeadamente na FNAC. Outras estão disponíveis em O Mirante e na Pedra
Azul Editora, no Brasil. Na Itália, em edições tanto em italiano como em
português, podem ser encontradas através da A.C.I.M.A. Itália.
A totalidade das minhas obras está igualmente reunida no meu site oficial: martin-santos.com
6) A.C.I.MA. – Que mensagem ou conselho você daria a quem está
iniciando sua jornada literária e deseja transformar sonhos em palavras?
MARTIN SANTOS – Desejo encorajar todos aqueles que sentem poder oferecer, através da escrita, momentos agradáveis de leitura e que, sobretudo, aspiram a encorajar, despertar consciências ou sensibilizar os leitores com algo positivo. Que não desistam diante dos desafios, das dúvidas ou dos inevitáveis obstáculos do caminho. A persistência, aliada à honestidade da palavra e à intenção sincera, acaba sempre por encontrar o seu lugar.
7) A.C.I.MA. – Fale sobre as suas obras e trajetória, em âmbito nacional e
além-fronteiras. Como tem sido a experiência de levar os seus trabalhos para o
exterior, especialmente com o apoio da A.C.I.MA. Itália?
MARTIN SANTOS – Como acontece com muitos escritores,
o meu percurso foi feito também de recusas. Até que uma editora portuguesa —
depois de ouvir de outro escritor que a minha escrita tinha valor — aceitou
analisar os meus textos e considerou-os interessantes. Assim, publiquei com
essa editora dois romances e dois volumes de poesia.
Algum tempo depois, uma editora brasileira, a quem alguém havia recomendado
os meus livros, leu-os e acreditou no seu potencial. Foi então publicado, em
português do Brasil, o meu segundo romance, A Voz que Não Ouvi, cuja primeira
edição, felizmente, não tardou a esgotar.
Mais tarde, escrevi histórias
infantis, algumas das quais ganharam vida também no YouTube, sob a forma de
desenhos animados. Publiquei ainda um livro que reúne poesia e prosa, Vislumbrando
um Mundo Melhor, que, ao que tudo indica, agradou ainda mais do que as
obras exclusivamente poéticas. Nesse mesmo registo nasceu depois a obra Fascinantes
Convergências, escrito em duo com a talentosa poetisa e cantora Rosa
Madeira.
Recentemente, publiquei o
romance Inimaginável, cujo manifesto agrado por parte dos leitores me
deixa profundamente feliz e grato.
No entanto, a minha satisfação não se limita ao reconhecimento das minhas
obras em língua portuguesa. Tive também o privilégio de ver o meu trabalho
valorizado por uma escritora e diretora de uma prestigiada editora
internacional, a A.C.I.MA. Edizioni Mandala, que considerou a minha
escrita relevante e que me distinguiu a nível internacional com um certificado
ouro na categoria Poesia, entre outros reconhecimentos e medalhas, no âmbito
dos diversos projectos literários renomados.
Devo ainda a esta senhora — que, sem qualquer lisonja, considero tão charmosa quanto talentosa —, Mariana Brasil / Sonia Miquelin, a publicação do romance La Voce Ritrovata, o meu primeiro livro em italiano, que foi destaque no Salão Internacional do Livro de Turim (2024). Graças a essa parceria, tornei-me também colunista internacional.
Com a A.C.I.MA. Itália, tenho igualmente o privilégio de participar, há já vários anos, em antologias e outras publicações de prestígio, em italiano e em português, e até em língua inglesa — experiências que ampliaram não só o alcance da minha escrita, mas também o meu olhar sobre o mundo.
8) A.C.I.MA. – Que legado você gostaria de deixar aos seus leitores,
familiares e às futuras gerações? Que mensagem deseja que sua obra transmita ao
mundo?
MARTIN SANTOS – Desejo profundamente que as minhas obras literárias e o meu modo de viver convirjam num mesmo propósito: sensibilizar, motivar e inspirar os leitores a darem o melhor de si na construção de uma sociedade mais justa, mais humana e verdadeiramente mais feliz.
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RAPIDINHAS – Um olhar leve e pessoal por Martin Santos
A.C.I.MA. – Uma saudade que aquece o coração.
MARTIN SANTOS – Dançar com a minha namorada.
A.C.I.MA. – Um sonho que ainda te move.
MARTIN SANTOS – Viver num mundo justo.
A.C.I.MA. – Um lugar que marcou sua vida.
MARTIN SANTOS – Grindelwald, na Suíça.
A.C.I.MA. – Uma música que toca sua alma.
MARTIN
SANTOS – Quimera de Gianni Morandi.
A.C.I.MA. – Uma tristeza que virou aprendizado.
MARTIN SANTOS – Uma traição.
A.C.I.MA. – Um som que traz boas memórias.
MARTIN SANTOS – Acordeão.
A.C.I.MA. – Um cheiro que desperta lembranças.
MARTIN SANTOS – Alecrim.
A.C.I.MA. – Doce ou salgado?
MARTIN SANTOS – Salgado.
A.C.I.MA. – Destino ou acaso?
MARTIN SANTOS – Acaso.
A.C.I.MA. – Quente ou frio?
MARTIN SANTOS – Os dois.
A.C.I.MA. – Seu hobby favorito.
MARTIN SANTOS – Escrita e tênis.
A.C.I.MA. – Sua comida preferida.
MARTIN SANTOS – Legumes.
A.C.I.MA. – O que você ama profundamente.
MARTIN SANTOS – Sinceridade e lealdade.
A.C.I.MA. – O que você não ama.
MARTIN SANTOS – Hipocrisia, e meias-verdades.
A.C.I.MA. – Um livro que mudou sua vida.
MARTIN SANTOS – A Bíblia.
A.C.I.MA. – Um filme inesquecível.
MARTIN SANTOS – Le schpountz.
Filme francês de Marcel Pagnol e estrelado por Fernandel.
A.C.I.MA. – Uma homenagem que gostaria de prestar ou receber.
MARTIN SANTOS – Gostaria de homenagear meu pai.
A.C.I.MA. – Um momento que guardará para sempre.
MARTIN SANTOS – Um encontro romântico em Lisboa.
A.C.I.MA. – Três elementos fundamentais para ser feliz.
MARTIN SANTOS – Amor, Pa e Respeito.
A A.C.I.MA. Itália reconhece em Martin Santos uma voz rara, capaz de
unir rigor e ternura, pensamento e humanidade. A sua escrita não apenas
participa dos nossos projetos: ela dialoga, provoca reflexão e deixa marcas
silenciosas, daquelas que continuam a ecoar mesmo depois da leitura. Há, em sua
presença, uma coerência entre palavra e atitude que enobrece o fazer literário
e honra cada espaço que atravessa. Que o caminho continue a abrir-se diante de
si com a mesma autenticidade que o define, pois o valor do que constrói não
reside apenas no êxito alcançado, mas na transformação que inspira.
Com profunda estima e
gratidão,
Sonia
Miquelin
A.C.I.MA. Itália











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