mercoledì 27 novembre 2013

A.C.I.M.A. entrevista a escritora LEONIA OLIVEIRA




A “A.C.I.M.A.” – dando continuidade ao projeto de mapeamento dos artistas e escritores brasileiros - “Vitrine do Artista Brasileiro no Exterior”, inciado em setembro de 2011, com entrevistas dirigidas inicialmente para os artistas e escritores brasileiros residentes no exterior, dá início ao segundo ciclo do projeto de entrevistas para a “Vitrine do Artista Brasileiro”, com os artistas e escritores associados A.C.I.MA. que contribuem para a divulgação e valorização da Arte & cultura brasileira no exterior. 

O projeto “Vitrine do Artista Brasileiro” da A.C.I.MA. abraça a arte e a cultura dos povos migrantes em todas as suas formas e manifestações – sejam elas, musicais, literárias, teatrais, artes plásticas, cinema, dança, fotografia, folclore, enfim, todas as expressões artísticas brasileiras.

Temos o prazer de entrevistar hoje a escritora LEONIA OLIVEIRA





A.C.I.MA. – Bem vinda Leonia Oliveira! Primeiramente, gostaríamos de saber um pouco sobre você: de onde vem, qual sua terra natal? Onde vive atualmente? Além da escrita, que trabalho ou hobby desenvolve?

L.O. – Esta sempre é a pergunta mais difícil de responder rsrs. Gosto de dizer que vivo no mundo, que nasci na Terra (eu acho). Além de escritora também sou compositora, cantora, diretora teatral, de formação acadêmica e prática, gosto muito de desenvolver luz, cenário, figurino, maquiagem, música e etc e tal para os meus espetáculos. Penso no Teatro Essência aonde microparte do espetáculo, incluindo os atores, faz parte da macroparte que canaliza a energia ao público. Também sou engenheira, só de formação rsrs e especialista em estratégias. Fui executiva de grandes empreendimentos durante muito tempo. Trabalhei em rádio e TV e também fui redatora de publicidade. Basicamente me defino como uma pessoa criativa, que utiliza esta criatividade em diversas áreas. Hobby? Ultimamente tenho jogado xadrez, mas gosto de artes marciais, nadar, ler bastante, esportes radicais, cinema e séries policiais. O meu hobby mais antigo é ler dicionários. Amo isto.
A.C.I.MA. –  Como e quando se dá o seu primeiro contato com a escrita? Sobre qual tema você escreve? De onde vem as inspirações para suas obras literárias? Poderia nos contar um pouco sobre seu processo criativo?
L.O. – A música veio primeiro, desde que me lembro por gente, eu vivia inventando música. A dramaturgia e o teatro vieram quase à mesma época, minhas brincadeiras infantis eram teatrais, colocava todo mundo dentro de um personagem e ficava construindo cenários e inventando histórias. Depois aos 12 anos, por conta de uma Semana da Cultura desenvolvida em meu colégio, comecei a declamar poemas e percebi que tinha uma memória muito boa para isto. Comecei a levar a literatura a sério a partir dos 13 anos, quando decidi que seria escritora para o resto da vida. Escrevo sobre diversos temas, ficção, não ficção, poesia, romances, contos, crônicas, humor e por aí vai. Inspirações surgem a todo momento, vivo anotando coisas, tem uma lista de livros para eu escrever. Quanto ao processo criativo primeiro é um estalo, depois desenvolvo mentalmente o que vou fazer e vou anotando tudo. Livros de ficção histórico-científica, embora neles a veia cômica apareça são os que mais envolvem pesquisa. Creio que sou da linha realismo fantástico, mas não gosto de me ater a alguma linha. Não gosto de rótulos. No momento estou pensando em alguns romances que seguem mais ou menos a linha do romance cinematográfico francês e outros que são mais realistas (estes últimos considero um desafio).


Tudo isto não inclui a música e a poesia, que brotam a qualquer instante. A música é o que há de mais prolixo em mim. Com o tempo minha poesia ficou menos rimada e a música mais apegada a jogos de rima. A poesia é mais um diário de mim mesma. A música, não necessáriamente, porque posso estar falando de algo que me toca ou falando como uma personagem. Gosto disto de personagens na música. O que a torna fácil. A verdade é que eu sou uma contadora de histórias e utilizo as formas de escrita para fazer isto.
A.C.I.MA. – Qual foi a pessoa que primeiramente acreditou em seu talento? E qual outra linguagem da Arte tem o seu interesse?
L.O. – Toda esta questão da arte sempre foi muito natural para mim, creio que é por conta da família. Fazia isto pensando que todo mundo fazia isto, mas a Irmã Selita Dambrowski, minha professora de português e inglês, que instituiu a Semana da Cultura. Ela foi quem me incentivou mais. Ela foi que me fez ver o dom que eu tenho. Tem uma passagem muito legal sobre ela. Fui visitá-la quando fazia a faculdade e disse: "Irmã, estou fazendo eng. Eletroeletrônica” e ela me disse “que bom!” aí eu conclui “Também estou fazendo a faculdade de artes cênicas” e ela disse : "isto sim! Você é casada com a arte! Nasceu casada com a arte!” E é bem a verdade, sou casada com esta menina arte desde que nasci.
Outra linguagem de arte é a escultura, gostaria muito de fazer. Bem da verdade são muitas, mas neste momento pensei na escultura.
A.C.I.MA. – O que você acha que seria prioritário fazer para criar oportunidades para valorizar e divulgar o trabalho dos escritores e artistas brasileiros no Brasil e no exterior?
L.O. – No Brasil creio que os próprios escritores barram os escritores, porque o mercado editorial é muito pequeno. Podem vender-se milhões de livros, mas poucas são as editoras que investem em escritores brasileiros. A Biblioteca Nacional não me parece muito interessada em abrir a porta para autores participarem de Caravanas e demais projetos (bom, nunca me responderam um e-mail sequer).
Quanto ao exterior, minha experiência é maior na Europa, é tudo muito mais fácil. Às vezes me perguntam porque eu participo de eventos na Europa e não no Brasil, a resposta é simples: porque na Europa sou convidada.
Prioridades de divulgação começam com um bom agente literário, alguém que confie não só no seu trabalho, mas na sua carreira. Não vejo agentes literários no Brasil. Creio que a cultura de ler na Europa cria um mercado muito diferente e bem mais profissional. 


A.C.I.MA. – Na sua opinião, qual o maior obstáculo que encontra o escritor brasileiro para ingressar no universo literário? Como você divulga o seu trabalho? Onde é possível adquirir seus livros?
L.O. – Ingressar no universo literário é bem simples, publique um livro e está lá. Mas nem sempre isto é uma carreira literária. A carreira deve ser traçada com um bom plano de mercado e de marketing, creio que poucos escritores brasileiros sabem fazer isto. Penso que há muito amadorismo e oba oba. Verdadeiramente no Brasil vejo livros-celebridades, livros-autoajuda, livros-religião. Alguns autores têm direitos autorais comprados, mas, pela experiência que estou tendo, é mais fácil ter isto no restante das Américas ou nos demais países do que no Brasil.
A divulgação do meu trabalho se dá por meio de redes sociais e pela minha distribuidora que é a Amazon C.O. Não estou satisfeita com a minha divulgação, ultimamente tenho pensado muito em planos de marketing e etc (afinal sei mexer com isto também rsrs). Meus livros são produzidos nos EEUU e podem ser encontrados em qualquer canal da AMAZON C.O. do mundo, em formato paperbook e/ou digital, também nos parceiros da Amazon. Sempre vejo meus livros sendo vendidos nos EEUU, na Inglaterra, na Croácia, África do Sul, Austrália, Suécia e por aí vai.
A.C.I.MA. –  Que conselho daria à quem esta dando os primeiros passos no universo literário?
L.O. – Persista. Se acredita no seu talento, persista. Vá atrás, ache brechas e, principalmente, encare isto como uma profissão e não um hobby, seja uma pessoa de bom trato. Ninguém gosta de estrelas, principalmente quando a estrela ainda nem nasceu. Não a nada que substitua a educação e o bom caráter.
A.C.I.MA. – Qual sua opinião sobre o momento “economicamente feliz” que o Brasil está vivenciando atualmente? Segundo seu ponto de vista será duradouro? Qual é o seu objetivo literàrio no momento?
L.O. – Não vejo este momento “economicamente feliz” vejo um país sobrecarregado de impostos e demais taxas tributárias, com preços quase Suíços, abismado com os escândalos e roubos e, ao mesmo tempo, talvez em muitos anos, se indignando e se manifestando contra isto.
Não acredito em governos centralizadores, quanto mais centralizador maior a chance de corrupção, ainda pior se a cultura da corrupção for a dominante.
Creio que a propaganda de 4ª potência mundial é bem grande, mas não vejo isto resultando em vantagens para os brasileiros.
Quantos aos objetivos literários eu os divido em dois grandes grupos: o primeiro é mercadológico, com ações de edição e distribuição que não vejo ocorrer. E também agentes literários de verdade, porque o que tem de gente ruim ou que se diz agente é muito grande.
O segundo e, para mim o mais importante, é escrever a minha prateleira de livros, ir tirando um a um e escrevendo, escrevendo, escrevendo. E traduzi-los para outros idiomas. Talvez o caminho mais óbvio e – menos lógico – no Brasil seja fazer sucesso no exterior. Aí eles vão em feiras internacionais e compram os direitos lá. 

A.C.I.MA. – Poderia nos falar um pouco sobre suas obras, seu percurso, e particularmente sobre a experiência de divulgar suas obras no exterior?
L.O. – Meu percurso foi bem tumultuado, quando se é meio bom em tudo as pessoas querem qualquer coisa menos que você se dedique ao seu verdadeiro talento. Bom, foi o meu caso. Até que cheguei e disse: este é meu caminho, são estes os meus talentos, ganhei de Deus e não quero que, quando a Ele chegar, Ele me pergunte: Dona Leonia, o que fez com os talentos que lhe dei? E eu diga: Pois é, Deus, eu guardei eles! Todos tem uma missão, a minha é esta.
A divulgação no exterior começou com o Salão de Genebra, praticamente ao mesmo tempo que conheci a A.C.I.M.A. que me levou à feira de Turim e à feira de Frankfurt. Estes são caminhos grandes e foram abertos por pessoas que respeito muito, Jacqueline Aisenman e Sônia Miquelin. Além do respeito e amizade que tenho pelas duas, vejo-as se empenhando na divulgação de escritores Brasileiros no exterior. São trabalhos muito sérios. Posso dizer que me tornei amiga de Sônia Miquelin graças ao profissionalismo dela. Portas são abertas quando nos unimos a pessoas de respeito, que construíram uma carreira de respeito. Penso muito em quem vou associar meu nome antes de fazê-lo.


A.C.I.MA. –  Quantos livros você publicou? Pode nos deixar aqui uma bibliografia (título/Ano de publicação/ Tema e público alvo/ Em uma frase a mensagem de cada obra.
L.O. – Até agora acho que foram sete publicados. Terminei o oitavo ontem.
Poemas Mínimos – poesia
Guia Prático do Pior Vendedor do Mundo – contos/crônicas
Astrolábio – song lyrics
TRIGO – poesia
Atlântida, A viagem – romance ficção histórica-científica
Diário da Menina Sem Mar – romance
2 contos patológicos – contos
E o que terminei e sairá no primeiro trimestre do ano que vêm é um livro de ficção histórica-científica-policial-suspense rsrs, que faz parte da saga de Atlântida: O DESAPARECIMENTO DA DRA. SUN.
A.C.I.MA. –  Se desejar deixe-nos uma mensagem, frase, reflexão ou poesia de sua autoria, por favor!
Sou um vendedor de sonhos
Em algum país distante
Abro a caixa de sonhos e sonho
Ofereço diamantes
Ao meu primeiro cliente
Ou uma flor ou um abridor
De lata de sonhos
Para algum vendedor novato
Para um outro fugidio vendedor ambulante



Rapidinhas:
A.C.I.MA. –  Uma saudade?
L.O. – Alpes Suíços
A.C.I.MA. –  Um sonho?
L.O. – Agora, minha saúde
A.C.I.MA. –  Um lugar?
L.O. – Suíça
A.C.I.MA. –  Uma música?
L.O. – Esquinas do Djavan
A.C.I.MA. –  Uma tristeza?
L.O. – Não saber desenhar
A.C.I.MA. –  Um barulho?
L.O. – Tique taque (coleciono relógios)
A.C.I.MA. –  Um cheiro?
L.O. – Alho sendo frito
A.C.I.MA. –  Doce ou salgado?
L.O. – Doce com salgado é uma delícia. Experimente comer caldo de carne de panela com gelatina. Nossa, deu água na boca agora! Hum...
A.C.I.MA. –  Destino ou casualidade?
L.O. – Ambos
A.C.I.MA. –  Quente ou frio?
L.O. – Frio
A.C.I.MA. –  Seu hobby?
L.O. – Filologia
A.C.I.MA. –  Comida preferida?
L.O. – Café da manhã de hotel, vale? rss
A.C.I.MA. –  O que ama?
L.O. – O belo, o estético e, acima de tudo, Deus.
A.C.I.MA. –  O que não ama?
L.O. – Mau caratismo.
A.C.I.MA. –  Um livro?
L.O. – La Maladie de La mort  de Marguerite Duras 
A.C.I.MA. –  Um filme?
L.O. – Traídos pelo Desejo
A.C.I.MA. –  Uma homenagem?
L.O. – Esta entrevista.
A.C.I.MA. –  Momento inesquecível?
L.O. – Lançar TRIGO em Genebra.
A.C.I.MA. –  Três coisas fundamentarias para ser feliz?
L.O. – Não dê bola para os rótulos;
– Esqueça e passe adiante;
– Aproveite o prazer do dia, pois não se pode repetir o sabor de um dia.







ACIMA – Muito obrigada Leonia Oliveira! Parabéns pelo seu trabalho! 
Luz, sempre mais luz...

 
Assista Leonia Oliveira realizado no Salão Internacional de Turim 2013


 
Se você um artista brasileiro que vive no exterior e deseja participar do Projeto “Vitrine do Artista Brasileiro no Exterior”, escreva para associazionemandala@hotmail.com

Para ter acesso as demais entrevistas e conhecer melhor essa geração fantástica de artistas e escritores que, com Cores & Letras estão escrevendo a nossa história clique nos links abaixo. Boa leitura.

A.C.I.M.A entrevista Geovana Clèa ( Itàlia)

A.C.I.M.A entrevista Ana Miquelin ( Itàlia)

A.C.I.MA. entrevista Fátima Freitas (Suíça)

A.C.I.MA. entrevista Mara Parrela (Holanda)

A.C.I.MA. entrevista Lúcia Amelia Brüllhardt   (Suíça)
A.C.I.MA. entrevista Josane Mary Amorim  (Holanda)

A.C.I.MA. entrevista Roseni Kurànyi (Alemanha)

A.C.I.MA. entrevista Jacilene Brataas (Noruega)

A.C.I.MA. entrevista Alexandra Magalhães Zeiner (Alemanha)

A.C.I.MA. entrevista Evandro Raiz Ribeiro (Japão)

A.C.I.MA. entrevista a escritora Rosemary Mantovani (Itália)

entrevista a escritora Karina Martinelli (Irlanda)

A.C.I.MA. entrevista a escritora Beti Rozen (EUA)

A.C.I.MA. entrevista a escritora Ligia Braz (Alemanha)

A.C.I.MA. entrevista o escritor Sérgio, Beija-Flor-Poeta (Alemanha)

A.C.I.MA. entrevista o escritora Leonia Oliveira (Brasil)

E continua...



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